o primeiro ciclo foi dedicado aos dj’s enquanto pesquisadores ou sistematizadores de uma vasta produção musical tendo as web rádios, podcasts e netlabels como veículos de difusão. enquanto o segundo ciclo será dedicado aos produtores num período em que o rádio é uma substância eletromagnética implacável que avança irresistivelmente em todas as direções nas dimensões sonoras contra a qual toda resistência é inútil, logo artística. seu uso pelas corporações humanas difusoras de informação, de maneira semelhante, submerge-nos na quantidade sempre maior de produção cultural pela reprodutibilidade técnica, sem se importar com os limiares de cognição singular, de modo que a música se torna o desdobramento fractal do ruído, ruído entre ruídos.
a rádio foi o pequeno riacho que moveu a compreensão musicante geométrica pré-industrial renascentista para a caosmose digital analógica por entre as margens das interfaces maquínicas — incluindo as abstratas — modernizantes que formam o contemporâneo limiar bauhaus-barroco — minimalismo-maximalismo.
hoje a música “urra nos alto-falantes, nos carros, nos restaurantes, nos elevadores, nas ruas, nas salas de espera, nas salas de ginástica, nas orelhas tapadas por fones, música reescrita, reinstrumentada, encurtada, esfacelada, alguns fragmentos de rock, de jazz, de ópera, fluxo em que tudo se mistura sem que se saiba quem é o compositor.”
a dada rádio e o museu da cultura da PUC/SP promovem o segundo encontro do ciclo “música 2.0 – deslocamentos da música contemporânea”, com a participação de bruno belluomini DJ e produtor, organizador da tranquera — primeira festa dedicada ao grime no Brasil com a participação do vj ninguém inundando o pátio com imagens
dub e reggaesempre foram a trilha sonora de boa parte dos subúrbios ingleses.
atualmente, aproximadamente 5% da população de londres é descendente de imigrantes jamaicanos. assim como ocorreu com o jungle, não poderia deixar de acontecer com o 2-step. mc’s cantando e rimando no idioma do seu país. o
resultado foi uma profusão significativa da cultura e da música jamaicana com o som eletrônico da época, transmitido pelas rádios livres locais e prensada em tiragens de vinil.
enfim, atualmente os produtores e dj’s dessa vertente promovem práticas de divulgação, como a de distribuir mixtapes — termo hoje dissociado das fitas cassete é uma espécie de CD demo que pode misturar composições próprias e de outros artistas—, o que potencializa a ação de jovens mc’s,dj’se produtores. fator potencializado pelo poder de distribuição gratuita da internet, na própria rede ou por programas p2p — soulseek, e-mule.
local:
pátio do museu da cultura puc/sp
rua. monte alegre, 984 perdizes são Paulo
t. 55 11 3670 8559
Colorindo os sets de áudio do electrojazz, tivemos nesta última quarta a presença dos músicos da peça Cymbeline em cartaz no SESI-SP. O convidado Flávio Gondim [Interferência] fazendo um set especial pra dAdA RAdiO, além de operar a mesa e efeitos na Jam Session final da gravação. Rolou também mais um programa Ano Zero com a pesquisa sonora de Marcio Black. Tudo isso iluminado pelas projeções do midiadub e do convidado pigtrafic colective. Pessoas…simplesmente ouçam tudo!!!!!
Quarta dia 26/3 - dAdA Jazz-Electro-Rock-Improviso. Presença de Amadeuz[electrojazz], Marcio Black[ano zero], Alex Dias[contrabaixo], convidado especial FGondim[interferência] na experimentaçào eletrônica - Midiadub no comando das projeções - incorporation visual jam.DADA!
ONDE? BAR b, na rua general jardim 43 (mapa aqui). Compareça!!! Quanto: R$ 5 (pague uma cerveja pra banda pelo amor de deus!!!) hehehe, até lah!!!
nova edição do programaanozero mapeando algumas experimentações musicais na contemporaneidade e iniciando pelo fato de que a música eletrônica quando apareceu precisava, de certa maneira, de uma carta de recomendações, e por isso alguns dj’s mais bem informados elegeram stockhausen e steve reich como “avôs” do movimento. o primeiro devido às pesquisas com música eletroacústica. o segundo graças a sua forma peculiar de construir música por meio de processos de repetição. ou seja do minimalismo.
foi a partir dos anos 60 que a linguagem musical de reich começou a ser constituída. ela nasce de uma decisão estética simples que consistia em reduzir radicalmente todos os níveis da escrita musical. reich conjugava uma gramática na qual não havia espaço para considerações elaboradas sobre melodia, harmonia, intensidade e outros elementos tradicionais da linguagem musical. a música transformava-se assim apenas na repetição incessante de um fragmento de voz ou de uma pequena série melódica.
a especificidade desta repetição é que ela era construída a partir de procedimentos, denominados por reich, de phasing. phase é a conseqüência da sobreposição do mesmo fragmento musical, mas com uma pequena defasagem no tempo:
5.Steve Reich – Coldcut – Music for 18 Musicians (Remix)
essa civilização que se auto-denominou ocidental, a partir de um certo momento, na idade média, acreditou que fosse necessário encontrar uma forma de grafar a memória sonora, por natureza evanescente. com a notação musical rompeu-se a relação direta e contigüa entre a escuta e a composição. não apenas foi necessário discretizar um contínuo, mas, também definir medidas e distâncias, transformar um sensível sonoro, sem imagem e sem conceito, numa representação gráfica que introduziu um novo percurso no pensamento musical. em vez de passar do ouvido para a boca através da memória, o que poderíamos chamar de vocalidade, a intermediação dos olhos e das mãos inventou novas dimensões, curiosidades, jogos intelectuais. poderíamos até mesmo nos perguntar se conceitos consagrados de elaboração melódica, como os de inversão e retrógrado, existiriam sem a notação musical e a conseqüente espacialização de alto e baixo para agudos e graves, e a reversão da direcionalidade para a “finalis” do modo. a própria idéia de forma musical, certamente baseada na reiteração de elementos auditivos, no reconhecimento de configurações através da memória, mas também na manipulação dos elementos musicais observados através da notação, possibilitou a idéia de desenvolvimento, seu domínio técnico e o aparecimento das grandes formas. assim, na próxima parte do programa. atores que procuram abalar as grandes formas/fórmulas:
é muito mais proveitoso e prazeroso fazer uma cartografia das manifestações musicais contemporâneas, na maior parte de suas vertentes, buscando pontos de transfiguração e montagem de sons destituídos de seus gestos. reelaborados. deixando de lado os eixos horizontal e vertical da música tradicional indo ali onde é inventado um campo de possibilidades e o espaço expressivo, definido pelo âmbito e pela extensão, será preenchido sem estar necessariamente submetido à lógica das texturas vocal-instrumentais. ali onde os eixos desaparecem ou perdem eficácia.
essa foi também a grande marca da produção sonora dadaísta — a partir de 1916 no Cabaret Voltaire, dirigido pelo filósofo e romancista hugo ball — ou no interior da composição musical contemporânea desde o advento da música eletroacústica em 1948 com pierre schaeffer ou da música eletrônica de herbert eimert.
para encerrar vamos verificar a apropriação por parte do rock n’ roll desses princípios:
após muito tempo e mudanças, nova edição do programa anozero no qual contamos com a parceria entre solex e m.a.e. a qual ocorreu no interior da série experimento in the fishtank da konkurrent — distribuidora independente de música sediada na holanda.
demos destaque para o battles banda de math rock, gênero que surgiu em meados dos anos 80 e é marcado por ritmos atípicos, com muitos breaks e riffs de guitarra dissonantes. lembrando que ao caras tocarão na clash club no dia 21/11. imperdível!!!
em poucas palavras anozero disponível
com chicago underground em suas facetas duo e trio estruturas harmônicas e rítmicas do jazz se deixam envolver e expandir pelos elementos eletrônicos. inspirados em duas grandes matrizes: o electro-jazz de miles davis e o free jazz tal como ornette coleman o definiu. chick corea pianista de jazz norte-americano e compositor bastante conhecido por seu trabalho no jazz fusion. aqui também em parceria com herbie hancock.
além de groove armada e burial
encerrando com a música espiritual dos aborígines na forma como se manifesta nos rituais tribais e também redimensionada pelas mãos de david hudson e steve roach.
para ver o playlist clique aqui.
nesta edição do anozero contamos com várias parcerias, as quais ocorreram no interior da série experimento in the fishtank da konkurrent — distribuidora independente de música sediada na holanda.
a konkurrent convidava uma ou duas bandas e pagava dois dias de estúdio para que as mesmas pudessem gravar o que desse na telha. alguns dos resultados podem ser escutados aqui, pois contamos com a presença de isis e aereogramme, solex e m.a.e., tortoise e the ex, sonic youth na companhia de i.c.p. e de novo the ex. hermeto pascoal mostrou a cara também com algumas faixas dos álbuns quarteto novo de 1967 e cérebro magnético de 1980. assim como masami akita — conhecido por esses lados como merzbow.
demos destaque para o battles banda de math rock, gênero que surgiu em meados dos anos 80 e é marcado por ritmos atípicos, com muitos breaks e riffs de guitarra dissonantes.
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abaixo temos o vídeo mother earth do crass, banda britânica que foi formada em 1978, no interior da primeira onda do punk rock na companhia de sex pistols, the clash, the damned, pelo baterista penny rimbaud e pelo vocalista steve ignorant. ambos faziam parte de uma comuna anarquista e por isso pode-se dizer que o crass foi uma das primeiras bandas a incorporar ativismo e idealismo político em suas músicas e shows. e foi sem dúvida a pioneira do estilo d.i.y — faça-você-mesmo — na composição de seus trabalhos, slogan que, nos anos subseqüentes, orientaria toda contra-cultura punk que então surgia.
o engraçado é que foram considerados por jello biafra — vocalista do dead kennedys — como ”radicais demais”. continue lendo.
programa anozero no qual contamos com a presença de sonic youth banda que tem como primado a honestidade artística e coragem de fazer música pela música sem medo de experimentar, enfim, pela atitude “do-it-yourself”. é nesse sentindo que é de extrema importância também a presença de lee ranaldo integrante do sonic youth. temos ainda clint mansell e kronos quartet executando o quarto ato — winter — da trilha sonora de requiem for a dream em que o diretor darren aronofsky — pi — conta a perturbada e frenética história de personagens que se envolvem com seus sonhos e vícios. na sequência o canadense venetian snares e algumas faixas do álbum nymphomatriarch, disco duríssimo e asfixiante de “drill n’ bass” elaborado em parceria com hecate — então sua namorada — criando um tumultuoso núcleo nevrálgico de colisões rítmicas a partir de samplers gerados exclusivamente de sons captados da prática de sexo oral, anal e vaginal praticados pelo inspirado casal.
para encerrar slint banda seminal dos anos oitenta tida hoje como referência para um grande número de bandas, principalmente em função da explosão do gênero post-rock, supostamente inventado pelo próprio slint.
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